Prevenção de incêndio

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sábado, 15 de outubro de 2011

NR 13 - Vasos de pressão

1 - INTRODUÇÃO

Atualmente é comum encontrar-mos compressores de ar e outros vasos de pressão presentes nos mais diversos tipos de edificações, sendo o seu emprego utilizado para os mais diversos fins. Porem o que pouca gente sabe ou se dá conta é que ao adquirir um vaso de pressão estão também adquirindo uma verdadeira bomba com grande poder de destruição, caso esta não seja utilizado de modo correto e seguro.
Vasos de pressão são equipamentos que contêm fluidos (líquidos, gases ou a mistura destes) sob pressão interna ou externa. São constituídos basicamente por duas parte, um dispositivo que força a injeção sobre pressão de um fluido ou comprime este fluido e um cilindro, esfera ou cone hermeticamente fechado que serve para armazenar este fluido. Os vasos de pressão possuem ainda dispositivos de segurança, indicadores de nível de pressão, dispositivos de acionamento e desligamento automático e manual e dreno, que quando bem utilizados irão prolongar a vida útil deste vaso e evitarão acidentes indesejáveis.

2 - CLASSIFICAÇÃO DOS VASOS DE PRESSÃO

Os vasos de pressão são classificados em categorias de acordo com o fluido contido no vaso e seu potencial de risco.

2.1 - FLUIDO CONTIDO NO VASO

               Classe "A":
                           - fluidos inflamáveis;
                           - combustível com temperatura superior ou igual a 200º C (duzentos graus centígrados);
                           - fluidos tóxicos com limite de tolerância igual ou inferior a 20 (vinte) ppm;
                           - hidrogênio;
                           - acetileno.

               Classe "B":
                           - fluidos combustíveis com temperatura inferior a 200º C (duzentos graus centígrados);
                           - fluidos tóxicos com limite de tolerância superior a 20 (vinte) ppm;

               Classe "C":
                           - vapor de água, gases asfixiantes simples ou ar comprimido;

               Classe "D":
                           - água ou outros fluidos não enquadrados nas classes "A", "B" ou "C", com temperatura superior a 50ºC (cinqüenta graus centígrados).

2.2 - GRUPO POTENCIAL DE RISCO

Os vasos de pressão são classificados em grupos de potencial de risco em função do produto "PV", onde "P" é a pressão máxima de operação em MPa e "V" o seu volume geométrico interno em m3, conforme segue (P.V):

 Grupo 1 - PV  ³ 100
 Grupo 2 - PV < 100 e PV ³  30
                    Grupo 3 - PV < 30   e PV ³  2.5
                    Grupo 4 - PV < 2.5  e PV ³  1
                    Grupo 5 - PV < 1

2.3 - CATEGORIAS DE VAOS DE PRESSÃO

A tabela a seguir classifica os vasos de pressão em categorias de acordo com os grupos de potencial de risco e a classe de fluido contido.


 

 

          Classe de Fluído



Grupo de Potencial de Risco

1
P.V ³ 100


2
P.V < 100
P.V ³  30

3
P.V <30
P.V ³ 2,5

4
P.V < 2,5
P.V ³ 1

5
P.V < 1

                                       Categorias

“A”
- Líquidos inflamáveis,
  combustível com temperatura
  igual ou superior a 200 °C
- Tóxico com limite de   tolerância £ 20 ppm
- Hidrogênio
- Acetileno





I





         I





       II





       III





       III
“B”
- Combustível com temperatura menor que 200 °C        
- Tóxico com limite de tolerância > 20 ppm




I



II

 

 

III

 

 

IV




IV
“C”
- Vapor de água
- Gases asfixiantes simples
-  Ar comprimido



I


II

 

 

  III

 

 

  IV



V
“D”
- Água ou outros fluidos não
  enquadrados nas classes "A"  "B" ou  "C" com temperatura  superior a 50 °C



II


III

 

 

 IV

 

 

 V



V


Vasos de pressão que operem sob a condição de vácuo deverão enquadrar-se nas seguintes categorias:

             - categoria I: para fluidos inflamáveis ou combustíveis;
             - categoria V: para outros fluidos.


3 - MANUTENÇÃO DOS VASOS DE PRESSÃO

Os vasos de pressão devem ser submetidos a inspeções de segurança inicial, periódica e extraordinária, realizada por profissional habilitado.
A inspeção de segurança inicial deve ser feita em vasos novos, antes de sua entrada em funcionamento, no local definitivo de instalação, devendo compreender exame externo, interno e teste hidrostático.
A inspeção de segurança periódica, constituída por exame externo, interno e teste hidrostático, deve obedecer aos seguintes prazos máximos estabelecidos a seguir:

a) para estabelecimentos que não possuam "Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos":



Categoria do Vaso


Exame Externo


Exame Interno

Teste   Hidrostático
I
1 ano
3 anos
6 anos
II
2 anos
4 anos
8 anos
III
3 anos
6 anos
12 anos
IV
4 anos
8 anos
16 anos
V
5 anos
10 anos
20 anos


b) para estabelecimentos que possuam "Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos":



Categoria do Vaso


Exame Externo


Exame Interno

Teste   Hidrostático
I
3 anos
6 anos
12 anos
II
4 anos
8 anos
16 anos
III
5 anos
10anos
a critério
IV
6 anos
12 anos
a critério
V
7 anos
a critério
a critério


A inspeção de segurança extraordinária deve ser feita nas seguintes oportunidades:
a) sempre que o vaso for danificado por acidente ou outra ocorrência que comprometa sua segurança;

b) quando o vaso for submetido a reparo ou alterações importantes, capazes de alterar sua condição de segurança;

c) antes de o vaso ser recolocado em funcionamento, quando permanecer inativo por mais de 12 (doze) meses;

                 d) quando houver alteração do local de instalação do vaso.

A inspeção de segurança deve ser realizada por "Profissional Habilitado" ou por "Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos", conforme a NR-13.

4 - SÃO TAMBÉM CONSIDERADOS COMO VASOS DE PRESSÃO PARA EFEITO DE APLICAÇÃO DA NR-13

a) qualquer vaso cujo produto "PV" seja superior a 8 (oito), onde "P" é a máxima pressão de operação em KPa e "V" o seu volume geométrico interno em m3, incluindo:

- permutadores de calor, evaporadores e similares;

- vasos de pressão ou partes sujeitas a chama direta que não estejam dentro do escopo de outras NR, nem do item 13.1 desta NR-13;

- vasos de pressão encamisados, incluindo refervedores e reatores;

- autoclaves e caldeiras de fluido térmico que não o vaporizem;

b) vasos que contenham fluido da classe "A", especificados no Anexo IV, da NR-13 independente das dimensões e do produto "PV".


5 - NÃO SÃO CONSIDERADOS VASOS DE PRESSÃO PARA EFEITO DE APLICAÇÃO DA NR-13

a) cilindros transportáveis, vasos destinados ao transporte de produtos, reservatórios portáteis de fluido comprimido e extintores de incêndio;

b) os destinados à ocupação humana;

c) câmara de combustão ou vasos que façam parte integrante de máquinas rotativas ou alternativas, tais como bombas, compressores, turbinas, geradores, motores, cilindros pneumáticos e hidráulicos e que não possam ser caracterizados como equipamentos independentes;

d) dutos e tubulações para condução de fluido;

              e) serpentinas para troca térmica;
  
f) tanques e recipientes para armazenamento e estocagem de fluidos não enquadrados em normas e códigos de projeto relativos a vasos de pressão;

g) vasos com diâmetro interno inferior a 150mm (cento e cinqüenta milímetros) para fluidos das classes "B", "C" e "D".

6 - REQUISITOS PARA A INSTALAÇÃO DE VASOS DE PRESSÃO

Todo vaso de pressão deve ser instalado de modo que todos os drenos, respiros, bocas de visita e indicadores de nível, pressão e temperatura, quando existentes, sejam facilmente acessíveis.

6.1 – Instalação em ambientes confinados

a) dispor de pelo menos 2 (duas) saídas amplas, permanentemente desobstruídas e dispostas em direções distintas;

b) dispor de acesso fácil e seguro para as atividades de manutenção, operação e inspeção, sendo que, para guarda-corpos vazados, os vãos devem ter dimensões que impeçam a queda de pessoas;

c) dispor de ventilação permanente com entradas de ar que não possam ser bloqueadas;

d) dispor de iluminação conforme normas oficiais vigentes;

e) possuir sistema de iluminação de emergência.

6.2 – Instalação em ambientes abertos

a) dispor de pelo menos 2 (duas) saídas amplas, permanentemente desobstruídas e dispostas em direções distintas;

b) dispor de acesso fácil e seguro para as atividades de manutenção, operação e inspeção, sendo que, para guarda-corpos vazados, os vãos devem ter dimensões que impeçam a queda de pessoas;

c) dispor de iluminação conforme normas oficiais vigentes;

d) possuir sistema de iluminação de emergência.

6.3 – Operador de vasos de pressão

A operação de unidades que possuam vasos de pressão de categorias "I" ou "II" deve ser efetuada por profissional com "Treinamento de Segurança na Operação de Unidades de Processos", sendo que o não-atendimento a esta exigência caracteriza condição de risco grave e iminente.

7 – ACIDENTES ENVOLVENDO VASOS DE PRESSÃO

1º Caso:

Explosão de compressor em empresa de ônibus 

 
Funcionários da Viação Deodorense, localizada em Marechal Deodoro, foram surpreendidos com a explosão, na manhã desta sexta-feira, dia 15, de um compressor de ar. A repercussão da explosão foi tamanha que atingiu o galpão de outra empresa de ônibus.
De acordo as primeiras informações, duas pessoas se encontravam no galpão, um funcionário e o proprietário, no momento da explosão e por pouco não foram atingidos. Apenas uma das vítimas foi identificada, como José Cícero.
Segundo relato de testemunhas, a explosão pode ser ouvida a vários metros de distância. O Corpo de Bombeiros foi acionado para inspecionar o local e saber se há riscos de desabamento, uma vez que parte do teto foi destruído.
Os prejuízos materiais ainda estão sendo avaliados. A explosão chamou a atenção de curiosos.





Fonte: Correio Do Povo de Alagoas – 15/07/2011

2º Caso:

Explosão de compressor de ar mata borracheiro

 
A explosão de um compressor de ar matou na hora Sinvaldo Miranda Silva, de 41 anos, quando ele tentava desligar o aparelho instalado na borracharia São Cristovão, bairro Mulungu, em Caetité, a 757 km de Salvador. Silva teve o corpo dilacerado pelos fragmentos do compressor.
Segundo moradores do bairro, o barulho da explosão, na noite do sábado, 13, foi ouvido à distância. A vítima havia acabado de acionar o equipamento, mas como o mesmo estava sem a válvula de desligamento automático, o compressor se assemelhava a uma “bomba-relógio”.
O agravante, segundo técnicos consultados por A Tarde, é que o compressor de ar estava sem manutenção e com mais de 20 anos de uso, quando o recomendado é de apenas cinco anos.
“O impacto da explosão atingiu seu peito em cheio”, relatou o radialista Magal Santos, que esteve no local. “Infelizmente perdemos um amigo, mas esperamos que a morte dele sirva de lição aos demais borracheiros para a devida manutenção dos equipamentos de trabalho”, assinalou Santos.
A polícia civil fez o levantamento cadavérico e a vítima foi recolhida e encaminhada por policiais militares ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) para necropsia. A família aguarda os esclarecimentos sobre as causas do acidente.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil da cidade, que aguarda os laudos do Instituto Médico Legal (IML) para prosseguir com o inquérito policial. Os documentos devem chegar em até 30 dias.

ALERTA - A válvula custa, em média, R$20. “Todos os compressores devem ter essa peça, também chamada ‘automático’, que serve para fazer o compressor desarmar quando atinge a calibragem programada”, explica o empresário do ramo, Murilo Amaral.
“Alem dessa peça, de fundamental importância, ainda tem outra chamada de válvula de segurança, que entra em ação se por uma eventualidade o ‘automático’ parar de funcionar. Essa válvula vai fazer com que o ar em excesso saia”.
Amaral alerta para os riscos de explosões como a que vitimou o borracheiro em Caetité. “O grande problema de algumas borracharias é que, muitas vezes, o ‘automático’ quebra e eles deixam o compressor ligado direto”, observa.
“Isso é muito perigoso, pois o compressor não terá controle do ar que esta entrando e pode ocorrer um fato semelhante e a esta tragédia”, enfatiza.
“Nosso compressor, apenas para citar um exemplo, fica distante da área de trabalho e o ar passa por uma tubulação de ferro até chegar à mangueira e, mesmo com capacidade para 250 libras, só é programado para operar com até 150 libras
O técnico Ademar Nascimento dos Santos, por sua vez, chama a atenção para outro detalhe importante. “Importante e que não deve ser esquecido”, reforça. “Se houver acúmulo de água no cilindro também pode ocorrer explosão”. A forma mais eficiente de drenagem do reservatório é com o uso de dreno automático.
O cilindro também deve estar em boas condições, pois a pressão dentro dele é muito grande. “O equipamento deve passar por uma revisão periódica e deve ter filtros para conferir a calibragem. Se por acaso exceder a calibragem, o compressor deve se desarmar”.
O dono de borracharia Paulo Santos Lima, 40 anos de idade e há 20 no ramo, garante que jamais se envolveu em incidentes com compressor. “A gente sempre cumpre os procedimentos recomendados, como troca de óleo, manutenção de válvulas, esvaziamento de cilindro com água e observamos o termostato (dispositivo destinado a manter constante a temperatura dum sistema)”.
Sua experiência pode ajudar a perícia a chegar até a verdadeira causa do incidente em Caetité. “Existem muitos compressores antigos no mercado e acontece que são reformados em voltam a uso. Ocorre que a água enferruja a estrutura e ela fica corroída, daí a parede interna enfraquece”, cita.

Fonte: A Tarde – 15/09/2008

 3º Caso



 Fonte: you tube

8 - FONTE

- Norma Regulamentadora nº. 13 do Ministério do Trabalho.

4 comentários:

  1. Sgt Braatz, estou tentando encontrar norma reguladora para geradores de eletricidade, no caso quais os sistemas de prevenção, sinalização, voltagem, amperagem permitida, etc...
    Agradeço e parabéns pelo blog.
    Eduardo.

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    Respostas
    1. Desconheço norma de segurança contra incêndio específica para geradores de eletricidade. Poderá obter algumas informações consultando a ABNT NBR 13231 e ABNT NBR 5410. Poderá consultar ainda as normas técnicas dos Corpo de Bombeiros Estaduais referente a instalações elétricas.

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