Prevenção de incêndio

Prevenção de incêndio

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Cálculo da reserva técnica de incêndio


           Para cálcular o volume da reserva técnica de incêndio, recorremos a fórmula V = Q x t, constante no item 5.4.2 da NBR 13.714/2000, onde:

V = Volume da reserva técnica de incêndio em litros;
Q = É a vazão, em litros por minuto, de dois jatos de água do hidrante mais desfavorável hidraulicamente, conforme item 5.3.3 e Tabela 1 da NBR 13.714/2000;
t = É o tempo de 60 minutos para sistemas tipo 1 e 2, e de 30 minutos para sistema tipo 3.

Exemplo:
          Um prédio classificado como comercial varejista, conforme a Tabela D.1 da NBR 13.714/2000, necessita de um sistema tipo 2. Para calcularmos o volume necessário para a reserva técnica de incêndio, aplicaremos a fórmula demonstrada acima.

V = Q x t

onde,
V = (300 + 300)* x 60**
V = 600 x 60
V = 36.000 litros

* Ver vazão constante na Tabela 1 da NBR 13.714/2000, para sistemas tipo 2, lembrando que o "Q" referê-se a vazão de dois jatos de água do hidrante mais desfavorável hidraulicamente;
** 60 é o tempo em minutos para sistemas tipo 1 e 2.

          Até aqui parece fácil calcularmos o volume da reserva técnica de incêndio, porém se não for feito um projeto hidráulico detalhado com o cálculo de uma bomba adequada, considerando as perdas de carga, corre-se o risco de após executado o sistema hidráulico de combate a incêndio sob comando, não se alcançar a vazão mínima de 300 litros/min (3,4 Kgf/cm²) desejado, tornando o sistema muitas vezes inútil ou ainda possuirmos um sistema com vazão superior aos 300 litros/min o que é comum de acontecer quando se executa um sistema hidráulico de forma empírica.
          Vejamos o exemplo de um sistema que foi executado com uma vazão de 325 litros por minuto na saída do esguicho, mantendo-se o volume da reserva técnica de incêndio inalterada:

V = Q x t
36.000 = (325 + 325) x t
650t = 36.000
t =  55 minutos

        Tivemos a perda de 5 minutos no combate ao fogo, pode parecer pouco mas esses 325 litros/min referê-se a uma pressão de apenas 4 Kgf/cm² na saída de cada esguicho no hidrante mais desfavorável hidraulicamente, o que não é dificil de se encontrar na maioria dos sistemas hidráulico tipo 2 por ai instalados.
        Agora vamos fazer o mesmo cálculo para uma pressão de 6 Kgf/cm²:

6 Kgf/cm² = 398,1 Litros/min (Sistema Tipo 2)

V = Q x t
36.000 = (398,1 + 398,1) x t
796,2t = 36.000
t =  45 minutos

         Portanto chegamos a conclusão que um sistema hidráulico com 2,6 Kgf/cm² a mais de pressão na saída do esguicho do hidrante mais desfavorável hidraulicamente, provoca a perda de 15 minutos no combate as chamas o que pode comprometer as chances de exito de se extinguir por completo o incêndio, lembrando que esses valores referêm-se a apenas um hidrante, pois se para o combate as chamas for empregado no mínimo mais um hidrante, chegaremos a perigosos 22,5 minutos de tempo disponivel para o combate, não  se esquecendo de que estamos falando do hidrante mais desfavorável hidraulicamente, pois dependendo das dimensões e altura da edificação podemos ter um ganho de 1 ou 2 quilos de pressão se empregarmos os hidrantes mais favoráveis o que ira provocar ainda mais o aumento da vazão e por consequência a queda do tempo disponivel para o combate as chamas.
        A solução para esse problema é simples, MAIOR VAZÃO = MAIOR VOLUME DE ÁGUA NA RESERVA TÉCNICA DE INCÊNDIO, tendo em mente a máxima de que não queremos afogar o incêndio, apenas controlar e extinguir o fogo, finalizando com o rescaldo para evitar nova ignição.


Confira também: Cálculo da vazão dos sistemas hidráulicos de combate a incêndio

                  Cálculo da reserva técnica de incêndio pelo método alternativo para sistemas tipo 1

33 comentários:

  1. BOA NOITE, BRAATZ, LENDO E RELENDO A NBR 13714, NÃO ENCONTREI DETALHAMENTO TÉCNICO SOBREO SISTEMA TIPO 3, QUE A MESMA CITA. EXISTE OU NÃO? ONDE ESTÁ AS REFERÊNCIAS? ABRAÇOS. PARABENS PELO SEU BLOG E ESTUDOS, SÃO MUITO BONS.
    ILDO BRITTO - BOMBEIRO CIVIL

    ResponderExcluir
  2. Caro amigo,

    O sistema tipo 3, conforme NBR 13714/2000 é composto por mangueiras de 2.1/2 polegadas de diâmetro, vazão mínima de 900 l/min em cada tomada de hidrante (valor medido na ponta do esguicho) e reserva técnica mínima de 54.000 litros. Este sistema somente é exigido para ocupações enquadradas como I-3 (depósitos de inflamáveis, explosivos, gases e outros de elevado risco de incêndio).

    O item 5.1 da NBR 13714/2000 prevê os tipos de sistemas.

    A Tabela 1 da NBR 13714/2000 prevê as vazões mínimas para todos os sistemas e o "Anexo D" prevê o tipo de sistema de acordo com a ocupação.


    Um abraço

    ResponderExcluir
  3. Amigo, bom dia!
    O seu trabalho ajuda muito. Estou aprendendo a fazer os cálculos com vc.

    V=(300+300)60=600x60=36000litros.

    Faça uma correçâo de matemática, senão, o resultado seria:
    V=300+300x60=300+18000=18300.
    Espero ter colaborado.

    Carlos.

    A norma NT-10 do CB do ES cita um traço de concreto cujo agregado graúdo deve ser granizo, e não granito.


    ResponderExcluir
  4. Ajustei o desenvolvimento do cálculo para ficar mais claro.

    Obrigado.

    ResponderExcluir
  5. Olá Luis ,gostaria de saber da aplicação do sistema "alternativo" no que se refere a capacidade de reserva de incêndio para a ocupação A2 Residencial Multi-Familiares,tendo como exemplo um Prédio com 15 pavimentos.
    Obrigado pela atenção,3ºSgt Dobler.

    ResponderExcluir
  6. Olá caro colega,

    No caso do sistema alternativo (item D.7 da NBR 13714/2000), para um prédio de 15 pavimentos, com um hidrante por pavimento, necessitaremos da seguinte capacidade de reserva técnica de incêndio:

    Cálculo:

    130 l/min (vazão mínima no hidrante mais desfavorável, conforme item D.7, letra "c") x 4 (mais de seis hidrantes instalados no prédio, conforme item D.7, letra "c") = 520 l/min.

    520 l/min x 60 min (tempo mínimo de reserva técnica, conforme item 5.4.2) = 31.200 l de reserva técnica exclusiva para incêndio que deverá ser disposta em duas células de mesmo volume (50 % para cada célula).

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Boa tarde Luís, seu Blog está ajudando muito;

      Necessito de uns esclarecimentos em relação a reserva técnica de Incêndio para o sistema tipo 1 com Mangotinhos. Em outra postagem você informa que uso de Mangotinhos pode chegar a ter uma reserva de incêndio de até 70% menor em relação ao sistema alternativo.

      Observei os cálculos e consultei a norma NBR 13714/2000 e cheguei aos mesmos 9.600 L para tipo 1 com 80 L/mim. Não encontrei na referida norma nada específico para uso de Mangotinho em relação a reserva. Porém na Instrução técnica nº 22/2011 de São Paulo, tabela 1 há a informação de Reserva mínima de 5 m3 para uma área de até 2500 m2. Nosso caso trata-se de uma Edificação classificado como E-1, área de 950 m2, 2 Pav.

      Seria plausível nós utilizarmos uma reserva de 5 m3 a 6 m3 adotando o Mangotinho?
      Aguardo.
      Emerson - Engenheiro.

      Excluir
    2. O cálculo apresentado neste blog refere-se a NBR 13714/2000, que é a norma adotada como referência aqui no Estado do RS e seus valores de reserva técnica de incêndio não podem ser alterados para menos. No Estado de SP, o dimensionamento do sistema hidráulico de combate a incêndio sob comando (hidrante) não segue a NBR 13714/2000 e sim a Instrução Técnica (IT) nº 22 do Corpo de Bombeiros, que na Tabela 3 dispõe da reserva técnica mínima necessária para cada situação e o critério adotado é bem diferente da NBR. Portanto, se a edificação for construída no RS deve ser seguido a NBR 13714/2000, porem se a edificação for construída em outro Estado deve ser observado a legislação daquele Estado. Se, por exemplo, for construído no Estado de SP deve ser observado a IT-22 do Corpo de Bombeiros de SP, que neste caso, em princípio, teria uma reserva técnica mínima de 5m³.

      Excluir
  7. Bom dia, eu queria um informação a respeito das áreas de ricos, pois é uma edificação com mais de 60 anos, e é dividida em madeira e alvenaria, ( barração pré-moldado), ai no calculo total de litros deu 67 m³ e usando apenas a parte de madeira de 39 m³, o que eu devo usa?
    Grato

    ResponderExcluir
  8. Para lhe auxiliar necessito saber em qual Estado brasileiro está construída esta edificação, para consultar as normas técnicas correspondentes.

    ResponderExcluir
  9. Boa tarde sgt Luis

    Sou Sd do Corpo de Bombeiros de SP e gostaria de aprender calculo de sprinkler, o senhor teria alguma recomendação de leitura com exercícios de forma didática.

    Att.

    Francisco José Milani de Pinho

    ResponderExcluir
  10. Existem várias literaturas que tratam sobre o assunto, particularmente sugiro como leitura o livro "Instalações Hidráulicas de Combate a Incêndio em Edificações", do Eng. Telmo Brentano que é uma obra completa e que descreve passo a passo como deve ser o dimensionamento de sistemas hidráulicos de combate a incêndio.

    Poderá conferir diretamente no site do autor, www.telmobrentano.com.br

    ResponderExcluir
  11. Bom dia
    Tenho um prédio onde existem diversos departamentos, e cada um possui uma classificação de risco. Neste caso, devo somar a RESERVA TÉCNICA de cada ambiente ou devo utilizar a RESERVA TÉCNICA para o local que foi considerado o pior caso?

    Exemplo:
    Local A: 10m³
    Local: B: 5m³
    Volume total da RESERVA: 15,0m³
    ou
    Local do pior caso: Local A
    Volume da RESERVA: 10,0m³

    Obrigado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A reserva técnica de incêndio deve ser dimensionada com base no maior risco, por exemplo, um prédio de ocupação mista (comercial no térreo e residencial nos demais pavimentos) a reserva técnica de incêndio deve ser dimensionada para o maior risco que neste caso seria o comercial. Cabe salientar que este procedimento está de acordo com a NBR 13714/2000 e existem em outros Estados legislações de segurança contra incêndio e pânico que não utilizam está NBR como referencial, portanto, é sempre aconselhável entrar em contato com o Corpo de Bombeiros local para confirmar o correto dimensionamento.

      Excluir
  12. Caro Sgt
    Posso usar depósito de mercadorias em containeres dentro de um barracão como isolamento de riscos? para definir risco para instalação de equipamentos ? sendo que a área é de 1000 m² e 300 m² é usado containeres.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não sei se entendi direito, mas se o objetivo é armazenar mercadorias dentro de contêineres, guardando uma distância de segurança entre eles, esclareço que se estes contêineres estiverem dentro de uma edificação (pavilhão) o afastamento entre os contêineres não pode ser utilizado para definir os sistemas de proteção contra incêndio. Isso só é permitido quando houver afastamento entre edificações.

      Excluir
  13. boa noite
    Gostaria de saber como se faz para dimensionar a quantidade de hidrantes numa edificação, e se a quantidade de unidades extintoras pode ser alterada de acordo com número de hidrantes.

    Grato.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Conforme a ABNT NBR 13714/2000, cada hidrante poderá cobrir no máximo 38 m (30 m de mangueira mais 8 m de jato). Desta forma deverá haver tatos hidrantes forem necessários, de forma que qualquer parte da edificação seja coberto pelo jato de água (um ou dois, conforme o tipo exigido) em caso de incêndio (ver 5.3.2 da ABNT NBR 13714/2000).

      A quantidade de unidades extintoras não pode sofrer qualquer alteração mesmo existindo hidrantes ou chuveiros automáticos (ver o escopo da ABNT NBR 12693/2013).

      Excluir
    2. Só uma correção. A ABNT NBR 13714/2000, considera apenas 30 m de mangueira e desconsidera o alcance do jato, porém, aqui no Estado do RS, por força da Portaria nº 090/EMBM/2000, é permitido considerar o alcance efetivo do jato (que não deverá ser inferior a 8 m), chegando com isso a 38 m de cobertura em cada hidrante.

      Excluir
  14. PARA O SISTEMA TIPO 2 PARA OCUPAÇÃO INDUSTRIAL QUAL O NUMERO DE SAÍDAS PARA CADA HIDRANTE?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Conforme a Tabela 1 da ABNT NBR 13714/2000, no sistema tipo 2, cada hidrante deve ser composto por duas saídas (conexão) de diâmetro nominal de 40 mm (diâmetro de conexão compatível com as mangueiras de 40 mm requerida para este sistema).

      Excluir
  15. Nos projetos é necessário anexar ART de execução do sistema de hidrantes?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Conforme a LC 14.376/2013, todas as medidas de segurança contra incêndio devem ser projetadas e executadas com base no PrPCI (Projeto de Prevenção e Proteção Contra Incêndio), acompanhados da devida ART/RRT, conforme prevê o Art. 19, § 3º da Lei. De acordo com este Artigo, sim, deve haver a ART de execução dos hidrantes.

      Excluir
  16. com relação a ventilação de subsolos qual legislação devo procurar

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. De certa forma, aplica-se o mesmo sistema utilizado no restante da edificação, podendo esta ser natural ou mecânica. Atualmente no Estado do RS, aplica-se a Instrução Técnica - IT nº 15 do Corpo de Bombeiros de São Paulo (mais precisamente a Parte 6 desta IT) até a publicação da Resolução Técnica própria do Corpo de Bombeiros do RS.

      Excluir
    2. Braatz,

      O corpo de bombeiros do ES tem alguma norma específica para área de ventilação mínima em subsolos?
      Este pode ser ventilado somente pelo portão (sendo este vazado)?

      Excluir
    3. Dei uma olhada na legislação daquele Estado e por cima não encontrei normas específicas para ventilação. Sugiro entrar em contato com o Corpo de Bombeiros do Espirito Santo para maiores informações e dar uma boa estudada na Instrução Técnica nº 10/2013 - Saída de Emergência.

      Segue abaixo o link da norma:

      http://www.cb.es.gov.br/NT%2010%20-%20Sa%C3%ADdas%20de%20Emerg%C3%AAncia%20-%20Parte%201%20-%20Condi%C3%A7%C3%B5es%20Gerais.pdf

      Excluir
  17. Bom dia.
    Minha dúvida é quanto ao cálculo V=QxT, no caso de uma edificação com 4 pavimentos, eu multiplicaria por 4 o resultado do meu volume de reserva técnica para ter o resultado do meu reservatório?

    Att.

    Felipe

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Conforme a ABNT NBR 13714/2000.

      Depende, se o sistema exigido e adotado na edificação for o Tipo 1 alternativo devemos multiplicar o número de hidrantes (4) pela vazão de 130 l/min e posterior multiplicaria por 60 min.

      Para os demais sistemas (Tipo 1, 2 ou 3) basta multiplicar a vazão por dois e posterior multiplicar por 60 min (Tipo 1 ou 2) ou 30 min (Tipo 3)

      Excluir
  18. Boa Noite;
    Estou precisando dimensionar um sistema de mangotinho para Garagem, térreo, 1 pavimento e 2º Pavimento. Estou com dificuldades em entender os dados necessário. Sabe onde consigo um calculo passo a passo como o que demonstrou acima. Desde já Agradeço. Fábio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Recomendo o livro "Instalações hidráulicas de combate a incêndio em edificações" do Professor e Eng. Telmo Brentano.

      Caso tenha interesse pode conferir a forma de aquisição do livro no link abaixo:

      www.telmobrentano.com.br

      Excluir
  19. Boa noite, estou com uma duvida referente ao meu prédio que já tem 60 anos e 3 andares, sendo 2 apartamento por andar. Na época ele foi construído sem reserva de incêndio e mangueiras, apenas temos extintores de incêndio. Queria saber se nesse caso é obrigatório construir o sistema de hidrante com reserva de incêndio ou bastaria os extintores.
    Grato

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Conforme a atual legislação aprovada em 27 de dezembro de 2013, o seu prédio deverá instar os hidrantes de incêndio.

      Cabe salientar que a legislação está passando por alterações e uma destas alterações refere-se exatamente as edificações existente que em principio é o seu caso.

      Sugiro aguardar mais alguns dias para verificar os novos procedimentos referente aos prédio existentes.

      Caso o seu imóvel tenha sido notificado pelo Corpo de Bombeiros e você tenha um prazo para se adequar, sugiro procurar o Corpo de Bombeiros e solicitar uma prorrogação de prazo, visto a legislação estar passando por mudanças no que refere-se aos prédios existentes.

      Excluir